sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

hoje não é dia de rock

eu amo caio fernando abreu. semestre passado tivemos uma matéria chamada Documentarismo I, e o trabalho final era redigir um projeto de documentário com argumento e justificativa. minha ideia foi a influência da obra do caio fernando abreu sobre a juventude dos anos 90. vou postar alguns trechos aqui:

"O jovem do início da década de 90 já havia aprendido a usar a fantasia como elemento de fuga, muito mais do que a droga. Esta juventude não se identifica nem com os ideais pacifistas dos jovens dos anos 60 e muito menos com o culto ao dinheiro dos jovens urbanos da década de 80. É uma mistura confusa entre suas crises pessoais e existenciais e a crise econômica que abala o país, crise esta que praticamente impossibilitou os jovens de construir uma perspectiva de vida num cenário de desigualdades e levou a um esgotamento das suas formas de expressão."

"Caio foi um expoente de sua geração. Sua obra versa sobre sexo, medo, morte e solidão, quase que principalmente. Ele apresenta uma visão dramática do mundo moderno, com seu estilo próprio e fluxos de consciência. O filme tentará, através de depoimentos e planos bem arquitetados, estabelecer um paralelo entre o modo como jovens dos anos 90 pensavam e sentiam o mundo e como C.F.A. o escrevia."

"O entrevistador será oculto, a ideia é tentar fazer com que as entrevistas se entrelacem umas às outras e não seguir nenhuma linearidade, ou seja, montar o filme de tal maneira com que as entrevistas se misturem, fazendo com que o espectador veja fragmentos de depoimentos diversos, um após o outro."

“Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.” (Caio Fernando Abreu, Sem Ana, Blues)


é uma ideia interessante. quem sabe um dia...


Um comentário:

. disse...

Puxa, eu ainda nao li nenhum livro dele, so alguns contos perdidos. Confesso que muitos me deixaram sem entender nadica de nada, daqueles que se tem que reler varias vezes pra cair a ficha (ou nao..) Mas gosto muito dele. Ele nem tem jeito de ser brasileiro (ele eh brasileiro, ne?)
E acho que vc nao pode deixar esse mundo sem contribuir com esse documentario, viu?